
Podemos dizer, em tom de ensaio poético, que a hermenêutica das mídias nasce quando Hermes atravessa as interfaces e aceita que toda mensagem chega atravessada por ruído, contexto e disputa. Interpretar nunca foi transmitir o “puro”, mas traduzir — e toda tradução envolve escolhas, ênfases e sentidos. Nas novas mídias, Hermes troca as definitivas aladas por algoritmos, telas e designs, circulando entre fluxos incessantes de signos e narrativas concorrentes.
Nesse cenário de hiperconectividade e excesso semiótico, interpretado é sempre um gesto situado: carrega história, valores, afetos e interesses. Não há neutralidade, apenas posições. A hermenêutica das mídias, no horizonte do humanismo digital, afirma a interpretação como prática crítica e dialógica, capaz de ampliar horizontes em um mundo saturado de mensagens, mas cuidadoso de compreensão.
Este livro convida o leitor a ouvir no ruído, ler no excesso e pensar criticamente o mundo mediado. Para quem ama letras, palavras, imagens em movimentos, a obra propõe uma formação sensível e lúdica — com ilustrações, exercícios e diálogos com a hermenêutica, a filosofia, a semiótica, a comunicação e as novas mídias — voltada à construção de um espírito crítico atento e inventivo.

Tiago Negrão de Andrade
Doutor em Mídia e Tecnologia pela Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), é professor universitário e autor de dezenas de artigos científicos. Atuou como diretor da Agência Expressa de Comunicação e Marketing, onde coordenou diversos projetos. Desenvolve atividades nas áreas de criação, produção gráfica, desenvolvimento web e UX Design.