
A desinformação não chega à escola como intrusa: ela já está nas crenças dos alunos, reforçada por algoritmos e por uma crise da autoridade epistêmica. O livro argumenta que, na educação contemporânea, ela não é um desvio corrigível por checagem de fatos, mas um efeito sistêmico da plataformização do conhecimento, da fragmentação dos regimes de verdade e da mediação algorítmica — processos que colocam a escola em disputa com ecossistemas digitais orientados ao engajamento.
Organizada em dez capítulos, a obra articula fundamentos filosóficos, diagnóstico estrutural e proposições pedagógicas. Define desinformação ao distinguir misinformation, disinformation e malinformation, analisa a psicologia da crença — marcada por emoção, identidade e pertencimento — e examina as arquiteturas algorítmicas que favorecem conteúdos engajadores. Discute os impactos na escola, o deslocamento da autoridade pedagógica e a dimensão política da desinformação como disputa cultural. Por fim, avalia respostas institucionais e propõe pedagogias da resistência baseadas em problematização, consciência estrutural e mediação docente ativa, encerrando com uma reflexão sobre o futuro da verdade na era da inteligência artificial.

Tiago Negrão de Andrade
Doutor em Mídia e Tecnologia pela Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), é professor universitário e autor de dezenas de artigos científicos. Atuou como diretor da Agência Expressa de Comunicação e Marketing, onde coordenou diversos projetos. Desenvolve atividades nas áreas de criação, produção gráfica, desenvolvimento web e UX Design.